A Jornada de um Médico | Dr. Rafael Otsuzi
Aula Magna · 11 Dezembro · 19h30
Dr. Rafael Otsuzi, cardiologista
Dr. Rafael Otsuzi Cardiologista · CRM-SP 130.190

A história de um médico que abandonou o sonho, perdeu tudo na pandemia e encontrou um caminho para voltar a ser médico de verdade.

Esta não é uma história de sucesso rápido. É uma jornada de 18 anos, com depressão, falência, renascimento e a descoberta de que existe uma forma de fazer medicina com tempo, saúde e propósito — sem ferir a ética.

A jornada

Cada médico tem sua história. Esta é a minha.

2002

O primeiro sonho

A ligação chegou cedo, antes mesmo de eu estar acordado.

Era meu tio Hidê, que morava em São Paulo. Naquela época, a gente via as notícias pelo jornal, não pelas redes sociais.

Foi ele quem me deu a notícia: eu tinha passado na Fuvest. Virei calouro de Medicina na USP Ribeirão Preto.

Naquele dia, eu nem imaginava o quanto minha vida ia mudar.

2006

O encontro com a cardiologia

Já no quarto ano de medicina, no internato, tive contato com a especialidade que diziam ser a mais difícil da USP Ribeirão Preto: a cardiologia.

Os comentários eram: “Quem passa pela cardiologia aqui já está praticamente formado.”

Esse desafio me empolgou. Ali, comecei a saber com clareza quem eu queria ser: um cardiologista.

2007

A falência e o choque

Mas ao mesmo tempo em que o sonho crescia, a vida deu uma virada difícil.

A loja da família, que era comandada pelo meu pai enquanto ele era vivo, faliu. Com a falência, vieram embora praticamente todos os nossos rendimentos.

Vendemos casa, carros, terrenos… Mesmo assim, nada era suficiente para sustentar três filhos.

Eu tive que pedir socorro, arrumar uma bolsa para continuar a faculdade e ainda precisei mudar do melhor quarto da república para o pior quartinho: do lado da sala, em frente à garagem, barulhento — tudo para economizar 30 reais por mês.

2007-2008

“Os pobres da turma” e a falta de ambição

A falência não afetou só o dinheiro. Afetou como os outros me viam.

Na época de preparação para a prova de residência, alguns colegas faziam cursinho médico preparatório. Era caro. Eu não podia pagar.

Um dia, conversando com um amigo de outra turma, que fazia judô comigo, ele contou que o pessoal tinha discutido se valia a pena fazer cursinho para a prova de residência.

Alguém disse: “Sim, todo mundo tem que fazer.”

Aí o amigo que morava comigo — na mesma república — falou:

“Lá em casa ninguém tá fazendo.”

E a resposta que ele ouviu foi:

“É, não tão fazendo porque são pobres, não têm dinheiro pra pagar.”

Não parou por aí.

Em outra conversa, o assunto era qual especialidade escolher depois da residência. Cirurgia era considerada a que “dava mais dinheiro”.

Alguém comentou: “Tem que fazer cirurgia, é o que dá dinheiro.”

De novo, o colega de casa respondeu: “Ah, mas lá em casa acho que ninguém vai fazer cirurgia.”

E ouviu:

“Ah, mas também, lá ninguém tem ambição.”

Lá ninguém tem ambição.

Mas não é meu objetivo focar em provar nada para ninguém. Só mostrar que, às vezes, o que os outros veem como “falta de ambição” é, na verdade, clareza de propósito.

2008

A depressão e o sonho abandonado

Chegou a residência médica. E foi aí que as coisas desandaram.

Eu tenho histórico familiar forte de doenças psiquiátricas e depressão. Na residência, praticamente não se dormia. Nem cama de residente tinha. Se a gente quisesse descansar, era num sofazinho na sala de emergência.

Noites em claro. Muita responsabilidade. E eu havia perdido o que sempre me salvou a vida inteira: o esporte, o exercício físico.

Além disso, passei por uma separação da minha esposa (que, na época, ainda era namorada).

Tudo isso culminou em: dores de cabeça crônicas, insônia, depressão. Eu chorava do nada, às vezes sem motivo aparente.

Pela primeira vez na vida, deixei de ser apenas médico e precisei ser paciente. Fui diagnosticado com depressão e comecei a tomar antidepressivo.

Mas, no fundo, eu sabia que o problema maior não era a falta do remédio: era a falta de uma vida minimamente saudável.

E assim, aquele sonho que eu tinha declarado — ser cardiologista — foi abandonado.

2009-2013

A Ilha do Marajó: a residência da vida

Depois disso, comecei uma nova fase: a ida para a Ilha do Marajó, mais especificamente para a cidade de Breves.

Era uma viagem longa e cansativa: às vezes eu pegava avião para São Paulo, outras vezes ônibus para Guarulhos, dormia esperando um aviãozinho que saía no sábado de manhã, ou então pegava um barco que demorava 12 horas para chegar à cidade de Breves, bem no meio da ilha.

E eu fazia tudo isso com muito orgulho e satisfação.

Morei e trabalhei lá por quase quatro anos, atuando intensamente em UTI, muitas vezes trabalhando duas semanas direto, morando no hospital.

Foi praticamente a minha “residência” — mas dessa vez: fazendo o que eu queria, na área em que eu me sentia útil, sem depressão.

Mesmo sendo o médico responsável pelos pacientes mais graves de uma ilha com cerca de 200 mil habitantes, mesmo sabendo que todos os casos graves do hospital passavam por mim, algo ainda incomodava.

Quando alguém perguntava: “Você é o quê?”

Eu respondia: “Sou especialista em clínica médica.”

E ouvia: “Ah, você é só clínico geral?”

Parecia que as pessoas sempre esperavam ouvir algo “a mais”.

Eu olhava para os colegas cardiologistas e pensava: “Nossa, esses caras são muito bons.”

Isso ficou em mim por muitos anos.

2014

Fortaleza, a prova de título e a decisão de voltar ao sonho

Um dia, minha esposa foi prestar a prova de Título de Especialista em Cardiologia, em Fortaleza.

Eu estava com inveja boa dela.

Depois da prova, nos reunimos com os colegas em um restaurante famoso de Fortaleza. Todos comentavam como tinha sido a prova.

Eu pensava: “Nossa, essa prova é difícil, hein?”

Mas eu sabia de algo muito importante: eu não conseguiria voltar para uma residência tradicional e correr o risco de viver tudo de novo — falta de sono, rotina doente, depressão.

Ao mesmo tempo, eu também sabia que existia uma alternativa: quem tivesse estágios e experiência por muitos anos em cardiologia poderia comprovar isso e tentar a prova de título.

Foi aí que eu decidi que tentaria um modo alternativo de virar cardiologista.

Com a “residência da vida” nas costas — emergências, plantões, clínica médica, cardiologia, estágios — eu tomei uma decisão:

Por quatro meses, eu ia dar o meu sangue, dar o meu máximo, usar tudo o que eu tinha e o que eu não tinha para passar na prova de título em cardiologia.

Nesse período, estudei até três, cinco horas da manhã, inúmeras vezes.

O resultado virou um dos primeiros vídeos que eu gravei para o Facebook. Muita gente ficou confusa, porque no vídeo eu chorava.

Mas eu chorava de alegria.

Tinha conseguido: passar, com nota máxima, entre os primeiros colocados, e, finalmente, virar cardiologista.

2020

A pandemia, o nascimento do meu filho e os R$ 200 mil queimados

Depois disso, eu já estava com boa parte da minha história traçada, feliz por ser cardiologista.

Minha rotina era: plantões duas, três vezes por semana; consultório em torno de três dias da semana.

Então veio outro sonho: minha esposa engravidou e nasceu meu filho.

Ele nasceu em maio de 2020.

E quem lembra o que aconteceu em 2020? A tão famigerada pandemia de Covid-19.

Dessa vez, o mundo inteiro estava isolado, angustiado, muitas pessoas deprimidas. Isso atingiu em cheio a minha família. Minha mãe, por exemplo, chegou a ficar internada. Minha esposa com medo de ficar sozinha enquanto eu trabalhava, se mudou para casa da sogra, e eu…..fiquei sozinho

Antes mesmo do nascimento, eu já tinha tomado uma decisão: com a minha esposa grávida, eu não queria correr o risco de levar Covid para casa.

Então, decidi que não daria mais plantões.

Eu tinha uma boa reserva financeira da época de Breves e achei que conseguiria segurar a transição ficando só com o consultório.

Não foi uma decisão fácil. Como fazer o consultório crescer justamente numa época em que todo mundo estava isolado em casa?

O número de pacientes despencou. Meu consultório ficava dentro de um shopping, que chegou a fechar por duas semanas.

Eu via de R$ 10 a 15 mil por mês indo embora, sem retorno. A bolsa derreteu, quedas atrás de quedas e vi meu dinheiro evaporar

Somando 2020 e 2021, foram cerca de R$ 200 mil da reserva financeira queimados.

Mesmo assim, eu decidi seguir firme: não voltar aos plantões, não trocar saúde por dinheiro.

Nessa época, eu chegava a ganhar cerca deR$ 60 por consulta. Pagando imposto, pagando tudo, sobrava muito pouco.

E as reservas iam diminuindo, mês a mês.

O dia que mudou tudo

Eu estava exausto de ser um “datilógrafo de luxo”.

Passava mais tempo olhando para a tela do computador do que para o rosto dos meus pacientes.

Até que, em 2022, testei algo que parecia ficção científica: a Inteligência Artificial.

Não foi apenas “otimizar a rotina”. Foi como se alguém tivesse tirado um peso de 100kg das minhas costas.

Lembro da primeira vez que vi a IA transcrever e organizar uma consulta inteira em segundos. Eu olhei para aquilo e pensei:

“Eu estou livre.”

De repente, as 3 horas diárias de burocracia sumiram.

O tempo que eu gastava digitando, voltei a gastar ouvindo.

Voltei a ser o médico que minha mãe admirava lá na minha infância.

O consultório parou de sangrar dinheiro.

Mas o mais importante: eu parei de sangrar vida.

Por que eu não podia guardar isso só para mim?

Eu olhei para o lado e vi colegas brilhantes vivendo o mesmo inferno que eu vivia. Vi médicos adoecendo para curar os outros. Vi famílias sendo deixadas de lado em nome de plantões intermináveis.

Eu tinha encontrado um bote salva-vidas no meio da tempestade. Seria egoísmo não jogar a corda para quem ainda está se afogando.

Por isso, decidi criar a minha primeira Aula Magna. Chamei de “Magna” não por vaidade, mas pela urgência do que preciso te mostrar.

No dia 11 de Dezembro, vou abrir a caixa-preta do sistema que salvou meu consultório. Não é teoria. É o campo de batalha. Vamos cobrir 3 frentes:

1. O Ponto Cego (A Doença Oculta)

Vou revelar a condição silenciosa que nós, médicos, ignoramos há décadas. Um fator de risco cardiovascular grave que passa batido na anamnese tradicional e que, quando tratado, muda a vida do paciente.

2. O Diagnóstico Moderno

Como usar ferramentas novas (e aceitas pelos pacientes) para diagnosticar essa doença em casa, valorizando sua consulta e trazendo medicina preventiva de verdade para o consultório.

3. A Inteligência Artificial na Vida Real

Sem “futurismo”. Vou mostrar como uso a IA hoje para ter apoio de conduta, eliminar a papelada e transformar o consultório em um lugar leve e humano novamente.

Muito mais que uma aula

A aula é apenas o começo. O meu objetivo real é formar um Grupo de Inteligência Coletiva.

Quero reunir médicos que, assim como eu, decidiram que não aceitam mais o “normal” da profissão. Médicos que querem:

  • Ter seu tempo de volta para a família e para si mesmos.
  • Recuperar a saúde física e mental que a residência tirou.
  • Retomar as paixões antigas (o esporte, a música, o lazer).
  • Ter uma remuneração justa sem se matar de trabalhar.

Tudo isso com um único fim: cuidar melhor de quem confia a vida a nós — o paciente.

Sua inscrição é um manifesto

Ao se inscrever, você não está apenas garantindo um link de Zoom. Você está levantando a mão e dizendo: “Eu quero minha vida de volta.”

Formulário Inscrição Aula Magna #01

AULA MAGNA VISÃO 360°

O método para sair do platô com IA, sem virar escravo do consultório e sem perder a essência da medicina.

🗓️ Quinta-feira, 11 de Dezembro às 19h30
Online e Gratuito

Mesmo que você não possa estar ao vivo, inscreva-se. Este é o primeiro passo para caminharmos juntos nessa nova medicina.

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